Dependência química: Entenda quando o uso se torna doença
Especialista alerta para sinais, riscos e tratamentos possíveis para um problema que afeta milhões de brasileiros

A linha que separa o uso recreativo ou ocasional de uma substância e a instalação de uma patologia crônica é, muitas vezes, tênue e invisível a olho nu.
No entanto, para a medicina e a psiquiatria, a dependência química não é uma escolha ou uma falha de caráter; é uma doença complexa que altera a estrutura e o funcionamento do cérebro.
“Não se trata de falta de força de vontade ou de caráter. A dependência é uma patologia que exige atenção clínica, cuidado multidisciplinar e suporte contínuo”, explica o psiquiatra Matheus Steglich, do grupo ViV Saúde Mental e Emocional.
O problema é mais comum do que se imagina. Segundo a Fiocruz, mais de 3,5 milhões de brasileiros convivem com algum tipo de dependência química, sendo que cerca de 11,7 milhões já apresentam dependência de álcool. Além disso, o estudo Covitel aponta que 4% da população adulta apresenta padrão de consumo com risco de dependência.
Segundo o Relatório Mundial sobre Drogas da UNODC (2023), aproximadamente 292 milhões de pessoas usaram drogas em 2021 no mundo. No Brasil, o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) aponta que cerca de 10% da população adulta apresenta padrão de uso nocivo ou dependência de álcool.
“Esses dados reforçam a necessidade de olhar para a dependência como uma questão de saúde pública, que precisa ser discutida com responsabilidade e empatia”, ressalta o psiquiatra.
Na ViV, maior rede de saúde mental do Brasil, tratamos a dependência com base em evidências científicas e acolhimento humanizado. Entender como essa transição acontece é fundamental para romper o ciclo de negação e buscar o suporte adequado antes que os danos se tornem irreversíveis.
O ciclo da dependência: Do prazer ao aprisionamento
Ninguém começa a usar uma substância com o objetivo de se tornar dependente. O processo geralmente ocorre em três estágios fundamentais:
1. Uso e Experimentação
O contato inicial costuma ser motivado pela curiosidade, pressão social ou busca por alívio imediato de algum desconforto emocional. Neste estágio, a pessoa ainda sente que tem o controle total sobre quando e quanto consumir.
2. Abuso (Uso Nocivo)
Aqui, o consumo passa a ser frequente e começa a gerar as primeiras consequências negativas: faltas no trabalho, conflitos familiares ou problemas de saúde. A substância deixa de ser um "extra" e passa a ser uma ferramenta de enfrentamento para o dia a dia.
3. Dependência Instalada
É o estágio em que o uso se torna uma doença. O cérebro sofreu adaptações neuroquímicas e a pessoa perde a capacidade de interromper o consumo, mesmo desejando fazê-lo. O foco da vida passa a ser a obtenção e o uso da substância.
“Há ainda uma relação muito estreita entre dependência química e outros transtornos psiquiátricos. Frequentemente, lidamos com comorbidades que tornam o tratamento mais desafiador”, destaca Steglich.
A ciência por trás do vício: O sistema de recompensa
O cérebro humano possui um circuito chamado Sistema de Recompensa. Ele é responsável por liberar dopamina quando realizamos atividades vitais, como comer ou praticar exercícios. O uso prolongado de substâncias produz adaptações progressivas nos circuitos cerebrais de recompensa.
Com o tempo, estímulos cotidianos passam a gerar menos resposta, o que contribui para a anedonia, dificuldade de sentir prazer em atividades que antes eram significativas. Esse processo envolve múltiplos sistemas de neurotransmissão e varia conforme a substância, a frequência de uso e as características individuais de cada pessoa.
É por isso que o dependente químico muitas vezes parece "apático" ou "desinteressado" pela família e pelo trabalho; o cérebro dele está reprogramado biologicamente para buscar apenas o estímulo químico.
“É preciso ficar atento quando o uso começa a comprometer a saúde, as relações e o desempenho no dia a dia. Nesses casos, a busca por ajuda profissional é urgente”, orienta o psiquiatra. O diagnóstico é feito a partir de entrevistas clínicas, avaliação multidisciplinar e aplicação de critérios internacionais como o DSM-5.
Sinais de alerta: Como identificar a doença?
Os comportamentos a seguir podem indicar que o uso de uma substância merece avaliação médica. Eles são referências para orientar a busca por cuidado, não critérios de autodiagnostico, que deve ser realizado por um profissional de saúde:

Por que a Dependência Química é uma doença crônica?
Assim como a diabetes ou a hipertensão, a dependência química é considerada uma doença crônica e recorrente. Isso significa que, embora não haja uma "cura" definitiva que permita ao indivíduo voltar a usar a substância de forma controlada, existe tratamento eficaz e possibilidade real de recuperação e qualidade de vida.
A recaída, muitas vezes vista como fracasso, é entendida pela medicina como um sintoma da doença que indica a necessidade de ajuste no plano terapêutico. Na ViV, nosso foco é a Prevenção de Recaídas, fornecendo ao paciente ferramentas emocionais e biológicas para manter a sobriedade a longo prazo.
A abordagem ViV: Tratando o ser humano, não apenas o sintoma
Na rede ViV, entendemos que cada jornada é única. Por isso, nosso tratamento é pautado no Plano Terapêutico Singular (PTS), que abrange:
- Desintoxicação Supervisionada: Suporte médico 24h para garantir que a retirada da substância seja segura e com o mínimo de sofrimento físico.
- Tratamento de Comorbidades: Muitas vezes, a dependência está associada à depressão ou ansiedade. Tratamos todas as condições simultaneamente (Diagnóstico Dual).
- Acolhimento Familiar: A família adoece junto com o paciente. Oferecemos suporte psicológico para que os familiares aprendam a lidar com a codependência.
- Reabilitação Psicossocial: Atividades que ajudam o paciente a reconstruir sua rotina, recuperar sua autoestima e reintegrar-se à sociedade.
“O tratamento não se resume à abstinência. Nosso objetivo é promover autonomia, qualidade de vida e reconstrução dos vínculos afetivos. Por isso, o acompanhamento no longo prazo é essencial”, reforça Steglich.
O primeiro passo é a informação
Reconhecer que a dependência química é uma doença é o passo mais difícil, mas também o mais libertador.
Ele retira o peso da culpa e coloca no lugar a responsabilidade pelo tratamento. Se o uso de substâncias deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade, é hora de buscar ajuda especializada.
A ViV Saúde Mental é a maior autoridade no tratamento de dependências no Brasil. Nossa estrutura está pronta para acolher você ou seu familiar em qualquer estágio da doença, com a dignidade e a excelência médica que o caso exige.
A dependência é uma doença, mas a recuperação é uma realidade. Se você ou alguém que você ama está em situação de crise aguda ou risco imediato, para dar início ao processo de avaliação e tratamento, a ViV está disponível 24 horas. Deixe-nos caminhar com você nesse processo.




